Levantamento BTG Pactual/Nexus mostra que violência e criminalidade lideram as respostas espontâneas dos eleitores, à frente da saúde pública e da corrupção
A segurança pública voltou a ocupar o topo da lista de preocupações da população brasileira. Uma pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira (3) aponta que 30% dos eleitores consideram a segurança pública o principal problema do país. O resultado confirma uma tendência que já vinha se desenhando em levantamentos anteriores da mesma série, mas chama atenção pelo tamanho da diferença em relação aos demais temas avaliados. Blog do BG
Segundo o instituto, 30% dos entrevistados avaliam a violência como o principal problema do país, seguida da saúde pública, com 23%, e da corrupção, com 19%. A economia, tema que costuma dominar o debate público em anos eleitorais, aparece em posição secundária: apenas 10% dos participantes indicaram a questão como prioridade. Esse dado surpreende parte dos analistas, já que a corrida presidencial de 2026 tem sido marcada por discussões intensas sobre gastos públicos e crescimento. Seu DinheiroSeu Dinheiro
O que revela o levantamento sobre o cenário atual
Além de medir a percepção geral, a pesquisa também perguntou aos entrevistados como avaliam a evolução da segurança nos últimos anos. O levantamento, realizado entre 31 de julho e 2 de agosto com 2.002 entrevistados, revela que 34% dos respondentes avaliam a situação como piorada nos últimos quatro anos sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A percepção de piora reforça a pressão sobre o governo em um momento particularmente sensível, com as eleições gerais marcadas para outubro. Boa Informação
Na comparação com o histórico da série, a variação é pequena, mas mostra um movimento de estabilização. Pesquisas anteriores do mesmo instituto, realizadas em junho e julho, já indicavam a segurança como o assunto mais citado, com índices entre 29% e 30%, seguida de perto pela saúde pública e pela corrupção. A permanência do tema no topo das preocupações, mês após mês, indica que não se trata de um fenômeno pontual, ligado a um único episódio de violência, mas de uma insatisfação mais estrutural.
Reflexos diretos na avaliação do governo Lula
Os números também aparecem quando o assunto é a avaliação da gestão federal. A segurança pública ainda foi citada por 18% como uma das áreas de maior destaque negativo do terceiro mandato de Lula, índice que coloca o setor próximo da saúde pública, mencionada por 19%, e à frente do baixo crescimento ou da estagnação da economia, citada por 12%. Ou seja, mesmo com a economia ocupando espaço relevante no debate eleitoral, é na área da segurança que o governo colhe as críticas mais consistentes. Blog do BG
Apesar desse desgaste pontual, a avaliação geral do presidente segue dividida. Segundo a pesquisa, 47% aprovam o trabalho de Lula e 48% desaprovam, enquanto outros 5% não souberam ou não quiseram responder. Quando o critério muda para conceito de gestão, o quadro fica um pouco mais desfavorável ao governo: 37% classificam a administração como ótima ou boa, enquanto 43% a consideram ruim ou péssima. Blog do BGBlog do BG
Esse contraste entre a avaliação geral do governo e a percepção específica sobre segurança ajuda a explicar por que o tema deve ganhar peso na campanha eleitoral. Candidatos de oposição já vêm incorporando a pauta da violência em seus discursos, enquanto a base governista busca destacar programas de enfrentamento ao crime organizado e de reforço às forças policiais estaduais.
Como a pesquisa foi feita
A metodologia adotada segue o padrão já conhecido das pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral. A Nexus entrevistou 2.002 eleitores por telefone entre 31 de julho e 2 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais. O levantamento foi devidamente registrado junto ao TSE, conforme exige a legislação eleitoral para pesquisas divulgadas durante o período de pré-campanha. Boa Informação
Vale destacar que o instituto vem realizando essa série de pesquisas mensalmente, o que permite acompanhar a evolução da percepção pública ao longo do tempo. Comparações entre as edições de junho, julho e agosto mostram que, embora a segurança siga na liderança, houve oscilações na intensidade das outras preocupações, como a corrupção, que cresceu de forma consistente nas últimas semanas.
O que esperar até as eleições de outubro
Com o primeiro turno das eleições gerais marcado para 4 de outubro, é provável que novas pesquisas do mesmo instituto sejam divulgadas nas próximas semanas, o que deve permitir uma leitura mais precisa sobre se a preocupação com a segurança pública continuará crescendo ou se estabilizará conforme a campanha avança. Temas como o combate ao crime organizado, a atuação das forças de segurança nos estados e o financiamento de políticas públicas de prevenção à violência tendem a ganhar ainda mais espaço nos debates entre os candidatos.
Para o eleitor, entender essas tendências ajuda a acompanhar de forma mais informada os discursos de campanha e as propostas apresentadas por cada candidatura nos próximos meses. A percepção sobre segurança pública, historicamente, costuma influenciar diretamente o comportamento do voto em eleições presidenciais no Brasil, o que reforça a relevância de acompanhar esse indicador de perto até outubro.
Fontes: