Mais da metade dos trabalhadores brasileiros termina o mês sem dinheiro, aponta levantamento

Nicola Valseri
Nicola Valseri

Pesquisa da Serasa Experian mostra que 53% dos profissionais não conseguem chegar ao fim do mês com recursos suficientes para todas as despesas; alimentação e contas básicas aparecem entre os principais gastos que pressionam o orçamento.

Mais da metade dos trabalhadores brasileiros enfrenta dificuldades para fazer o dinheiro durar até o fim do mês. Um levantamento da Serasa Experian, divulgado nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, mostra que 53% dos profissionais entrevistados chegam ao final do mês sem recursos suficientes para pagar todas as despesas. O resultado permanece praticamente estável em relação a 2025, quando o percentual registrado foi de 54%, indicando que a pressão sobre o orçamento continua presente na rotina de uma parcela expressiva da população ocupada. (Folha de S.Paulo)

A pesquisa ouviu 1.008 profissionais de empresas públicas e privadas, incluindo trabalhadores contratados pelo regime CLT e pessoas que atuam como pessoa jurídica (PJ). As entrevistas foram realizadas pela internet entre 12 e 30 de junho de 2026, e o levantamento apresenta margem de erro de 3,1 pontos percentuais. Além de avaliar a capacidade dos trabalhadores de fechar as contas mensais, o estudo investigou quais despesas mais pesam no orçamento e os reflexos das dificuldades financeiras na vida pessoal e profissional. (Folha de S.Paulo)

Os resultados revelam ainda que 47% dos entrevistados recorrem a algum tipo de recurso ou alternativa adicional para conseguir fechar as contas, enquanto outros 6% chegam ao fim do mês sem dinheiro suficiente e sem recorrer a uma solução extra. O cenário mostra como uma parcela dos trabalhadores possui pouca margem financeira para absorver despesas inesperadas, formar uma reserva de emergência ou avançar em objetivos de médio e longo prazo. (Folha de S.Paulo)

Alimentação é o gasto que mais pesa no orçamento

Entre os trabalhadores que não conseguem chegar ao fim do mês com dinheiro suficiente, a alimentação foi apontada por 78% como uma das despesas responsáveis pela pressão financeira. Logo depois aparecem as contas de consumo, como água, energia elétrica e gás, mencionadas por 72% dos entrevistados. Cada participante podia indicar até três categorias de gastos. (Folha de S.Paulo)

Outros compromissos também aparecem com participação relevante. Financiamentos de imóveis ou veículos foram citados por 44%, enquanto roupas, utilidades e outros itens de consumo aparecem nas respostas de 43%. Empréstimos foram mencionados por 33% dos trabalhadores e gastos relacionados aos estudos, por 22%. (Folha de S.Paulo)

Os números ajudam a mostrar que a dificuldade de fechar o orçamento não está concentrada em uma única categoria. Parte significativa da renda é destinada a despesas consideradas essenciais ou compromissos previamente assumidos, reduzindo o espaço para poupança, investimentos ou mesmo gastos inesperados.

47% precisam buscar alternativas para fechar as contas

Um dos pontos de maior destaque do levantamento é a quantidade de trabalhadores que precisam recorrer a alternativas adicionais para equilibrar o orçamento. Segundo a pesquisa, 47% afirmam utilizar algum recurso para conseguir chegar ao fim do mês, além dos 6% que permanecem sem dinheiro e não encontram outra solução. (Folha de S.Paulo)

Essa falta de margem pode aumentar a necessidade de complementar a renda ou financiar despesas do cotidiano. Délber Lage, CEO da SalaryFits, empresa da Serasa Experian, avaliou que a permanência de percentuais elevados de um ano para outro demonstra uma pressão persistente sobre a saúde financeira dos trabalhadores. (Folha de S.Paulo)

O problema também dificulta a formação de uma reserva para emergências. Quando praticamente toda a renda está comprometida com as despesas mensais, situações como manutenção inesperada do veículo, aumento do aluguel ou outras contas extraordinárias podem desequilibrar rapidamente o orçamento familiar.

Situação pouco mudou em relação a 2025

Apesar da pequena redução registrada em 2026, os números mostram estabilidade. No levantamento anterior, 54% dos trabalhadores declararam não conseguir terminar o mês com dinheiro disponível. Agora, o percentual está em 53%. (Folha de S.Paulo)

A diferença de apenas um ponto percentual reforça a avaliação de que o desafio financeiro continua estrutural para muitos profissionais. O problema não significa necessariamente que todos estejam inadimplentes, mas revela uma situação de orçamento apertado, na qual receitas e despesas ficam muito próximas ou as despesas superam os recursos disponíveis.

Outros levantamentos realizados em 2026 apontaram cenário semelhante entre a população de forma mais ampla. Pesquisa Datafolha divulgada em abril indicou que 59% dos brasileiros consideravam a renda familiar insuficiente em algum grau para cobrir suas despesas, enquanto apenas uma pequena parcela declarava ter alguma folga financeira ao final do mês. (Portal Tela)

Problemas financeiros afetam a vida pessoal

A pesquisa da Serasa Experian também investigou os impactos das dificuldades financeiras sobre trabalhadores que passaram ou ainda passam por problemas dessa natureza nos últimos cinco anos. Os resultados mostram que a pressão sobre o orçamento ultrapassa a esfera estritamente econômica.

Na vida pessoal, irritabilidade e insônia foram relatadas por 44% dos entrevistados. Também apareceram consequências como alterações de peso, dores físicas e isolamento social entre os problemas associados às dificuldades financeiras relatados pelos participantes. (Folha de S.Paulo)

Os dados ajudam a dimensionar como problemas relacionados ao dinheiro podem interferir em diferentes aspectos da rotina. Quando o orçamento permanece pressionado por períodos prolongados, preocupações com pagamentos, dívidas e despesas futuras podem acompanhar o trabalhador mesmo fora do ambiente profissional.

Reflexos também chegam ao ambiente de trabalho

As consequências financeiras também aparecem durante o expediente. Entre os profissionais consultados, 51% relataram estresse no trabalho relacionado aos problemas financeiros, enquanto 46% mencionaram exaustão extrema ou esgotamento físico. (Folha de S.Paulo)

Além disso, 35% disseram perceber diminuição da atenção e 33% relataram queda de produtividade. Os resultados indicam que a saúde financeira dos trabalhadores também pode ter repercussões para as empresas, especialmente quando dificuldades pessoais começam a afetar concentração, desempenho e bem-estar profissional. (Folha de S.Paulo)

O levantamento reforça, dessa maneira, a relação entre finanças pessoais e qualidade de vida no trabalho. Para as empresas, programas de orientação financeira e benefícios adequados ao perfil dos funcionários podem ganhar relevância como parte das estratégias voltadas ao bem-estar das equipes.

Moradia também dificulta planos de longo prazo

O custo da moradia é outro elemento importante na organização financeira das famílias, especialmente nos grandes centros urbanos. Além do aluguel, despesas como condomínio, energia, transporte e alimentação podem consumir parcela significativa do salário, dificultando a formação de patrimônio.

Uma reportagem publicada pela Exame em maio já apontava que juros elevados, aluguel pressionado e custo de vida estavam fazendo jovens adiarem decisões financeiras importantes, como morar sozinhos, investir e construir patrimônio. Para muitos, antes de pensar em objetivos de longo prazo, o desafio imediato continua sendo fazer a renda durar durante todo o mês. (Exame)

Essa dificuldade cria um efeito acumulativo: sem recursos disponíveis ao final do mês, torna-se mais difícil montar uma reserva financeira; sem reserva, despesas inesperadas podem exigir crédito; e novos compromissos financeiros reduzem ainda mais a renda disponível nos meses seguintes.

Educação financeira aparece como uma das alternativas

Especialistas ligados à Serasa destacam a educação financeira como uma ferramenta para ajudar trabalhadores a administrar melhor receitas e despesas. A organização do orçamento permite identificar quais gastos possuem maior peso, estabelecer prioridades e visualizar com maior clareza quanto da renda já está comprometido. (Folha de S.Paulo)

Isso, entretanto, não significa que planejamento sozinho resolva situações nas quais a renda é insuficiente para cobrir despesas básicas. Os próprios resultados mostram que alimentação e contas essenciais estão entre os itens de maior peso. A organização financeira pode ajudar a reduzir desperdícios e antecipar compromissos, mas a capacidade de poupar depende também da relação entre renda, custo de vida e obrigações de cada família.

A própria Serasa orienta consumidores a conhecerem detalhadamente as despesas domésticas e planejarem reajustes previsíveis, como aumento do aluguel e outras contas recorrentes. Em material sobre organização financeira, a instituição aponta que desconhecer quanto do orçamento está comprometido pode aumentar a dificuldade de administrar as despesas mensais. (Serasa)

Pesquisa expõe orçamento apertado do trabalhador brasileiro

O levantamento divulgado em 18 de agosto de 2026 apresenta um retrato de pouca folga financeira para grande parte dos profissionais brasileiros. O fato de 53% não conseguirem terminar o mês com dinheiro suficiente para todas as despesas mostra que, mesmo entre pessoas inseridas no mercado de trabalho, equilibrar o orçamento continua sendo um desafio relevante. (Folha de S.Paulo)

Os dados também revelam que o problema não termina no saldo bancário. Estresse, exaustão, perda de atenção e queda de produtividade aparecem associados às dificuldades financeiras, transformando o orçamento doméstico em uma questão que também afeta bem-estar e desempenho profissional.

Com alimentação e contas básicas ocupando posição central entre os gastos apontados pelos entrevistados, o estudo indica que a discussão sobre saúde financeira no Brasil envolve não apenas hábitos de consumo, mas também renda disponível, custo de vida, acesso ao crédito e capacidade das famílias de construir alguma segurança para enfrentar imprevistos.

Fonte principal

Folha de S.Paulo — Mais da metade dos trabalhadores termina o mês sem dinheiro, diz levantamento da Serasa

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