Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária aponta crescimento dos investimentos em IA, Analytics e Big Data, enquanto instituições ampliam recursos para nuvem, segurança, automação e capacitação de profissionais.
Os bancos brasileiros devem investir aproximadamente R$ 3 bilhões em inteligência artificial, Analytics e Big Data ao longo de 2026, consolidando essas tecnologias como algumas das principais prioridades da transformação digital do sistema financeiro. O valor representa crescimento de 8% em comparação com 2025 e faz parte de uma expansão mais ampla dos gastos tecnológicos das instituições financeiras que atuam no país.
Os números são da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Federação Brasileira de Bancos em parceria com a Deloitte. O levantamento mostra que a inteligência artificial está deixando de ocupar apenas projetos experimentais para participar diretamente de processos importantes dos bancos, como atendimento aos clientes, análise de grandes volumes de informações, automação de tarefas e prevenção de fraudes.
O investimento ocorre em um momento no qual os canais digitais já concentram grande parte da relação entre bancos e consumidores brasileiros. Aplicativos móveis, internet banking, Pix, Open Finance e serviços automatizados aumentaram significativamente o volume de informações processadas pelas instituições, transformando dados e capacidade computacional em elementos cada vez mais importantes para a competição no setor financeiro.
IA passa a ocupar funções estratégicas nos bancos
Entre as instituições pesquisadas, 92% apontaram o aumento da velocidade na realização de tarefas rotineiras como um dos principais benefícios da inteligência artificial. A automação permite reduzir o tempo dedicado a determinadas atividades operacionais e direcionar profissionais para processos que exigem maior análise e tomada de decisão.
Outros 52% destacaram benefícios como redução do tempo de resposta aos clientes, diminuição de custos e maior eficiência na análise de dados. Para 48% das instituições, a tecnologia também contribui para aumentar a capacidade de detecção e prevenção de fraudes, uma das áreas mais sensíveis diante da expansão das operações bancárias digitais.
A tendência é que sistemas de IA sejam incorporados a um número maior de processos internos. Além dos tradicionais assistentes virtuais utilizados no atendimento, as instituições estão explorando inteligência artificial generativa e agentes capazes de auxiliar funcionários, consultar informações, analisar documentos e automatizar diferentes etapas de processos.
Investimento total em tecnologia supera R$ 50 bilhões
Os R$ 3 bilhões destinados à IA, Analytics e Big Data representam apenas uma parcela do orçamento tecnológico do setor. A Pesquisa Febraban aponta que os bancos brasileiros deverão movimentar aproximadamente R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, considerando investimentos e despesas.
Esse orçamento tecnológico acumulou crescimento de aproximadamente 58% em cinco anos. A evolução mostra como a tecnologia deixou de funcionar apenas como infraestrutura de apoio e passou a ocupar uma posição central na estratégia das instituições financeiras.
Cibersegurança, computação em nuvem, inteligência artificial e IA generativa aparecem entre as principais prioridades. A transformação está relacionada tanto à criação de produtos quanto à necessidade de manter sistemas disponíveis, processar grandes quantidades de transações e proteger informações financeiras.
Bancos também aceleram migração para a nuvem
Outra frente que receberá investimentos significativos é a computação em nuvem. Os bancos estimam aplicar aproximadamente R$ 3,9 bilhões em iniciativas de migração para cloud em 2026, avanço de 30% sobre o ano anterior.
A infraestrutura em nuvem é particularmente importante para a expansão da inteligência artificial porque permite aumentar ou reduzir recursos computacionais conforme a necessidade. Modelos de IA e sistemas de análise de grandes volumes de dados podem exigir capacidade significativa de processamento e armazenamento.
A combinação de cloud, Big Data e inteligência artificial cria uma infraestrutura tecnológica capaz de permitir novos produtos digitais, análises mais rápidas e maior automação. Ao mesmo tempo, essa transformação aumenta a importância de governança, disponibilidade dos sistemas e proteção das informações armazenadas.
Segurança cresce junto com adoção da inteligência artificial
A expansão da IA também cria desafios. Bancos administram informações altamente sensíveis e precisam estabelecer controles para evitar que funcionários insiram dados confidenciais em ferramentas de inteligência artificial que não tenham sido previamente autorizadas pela instituição.
O risco ganhou destaque porque ferramentas generativas podem ser utilizadas para resumir documentos, escrever códigos, analisar informações e automatizar atividades. Sem regras adequadas, entretanto, um funcionário poderia compartilhar acidentalmente informações internas, dados pessoais ou documentos protegidos com sistemas externos.
Por isso, o avanço da IA no setor financeiro tende a ocorrer acompanhado por investimentos em governança e cibersegurança. Controle de acesso, rastreamento da utilização das ferramentas, proteção de dados e definição de quais informações podem ser processadas por cada sistema passam a integrar as políticas tecnológicas das instituições.
Capacitação profissional recebe mais recursos
Os bancos também estão ampliando os investimentos destinados à preparação de seus funcionários para trabalhar com essas tecnologias. O levantamento estima R$ 29,4 milhões em treinamento e capacitação relacionados à inteligência artificial e IA generativa durante 2026.
O montante representa crescimento de 31% em relação ao ano anterior. A expansão indica que a transformação tecnológica não depende somente da compra de software ou infraestrutura computacional, mas também da capacidade das equipes de utilizar essas ferramentas adequadamente.
Profissionais de tecnologia, segurança da informação, análise de dados e desenvolvimento estão entre os diretamente envolvidos, mas a inteligência artificial também começa a alcançar áreas administrativas, atendimento, análise financeira, gestão de riscos e outras funções tradicionalmente menos ligadas à programação.
Sistema financeiro entra na era dos agentes inteligentes
Uma das próximas etapas dessa transformação deverá envolver os chamados agentes de inteligência artificial. Diferentemente de um chatbot tradicional que simplesmente responde a perguntas, esses sistemas podem receber um objetivo, analisar informações e executar diferentes etapas de uma tarefa.
No setor financeiro, agentes podem futuramente auxiliar na análise de documentos, atendimento, desenvolvimento de software, monitoramento de operações e processamento de grandes volumes de informações. A implementação, entretanto, exige mecanismos capazes de definir quais ações o sistema pode executar e quando será necessária a supervisão de uma pessoa.
A própria edição de 2026 do Febraban Tech colocou os agentes inteligentes no centro das discussões. O avanço demonstra como os bancos brasileiros estão preparando sua infraestrutura para uma etapa na qual a IA poderá participar diretamente de fluxos de trabalho, e não apenas funcionar como uma ferramenta isolada.
Bancos brasileiros aprofundam transformação digital
Os aproximadamente R$ 3 bilhões destinados à IA, Analytics e Big Data mostram que a transformação digital do sistema bancário brasileiro continua acelerando. Somados aos R$ 3,9 bilhões previstos para cloud e ao orçamento tecnológico superior a R$ 50 bilhões, os investimentos demonstram a escala alcançada pela tecnologia dentro do setor financeiro.
A próxima disputa deverá ocorrer em torno da capacidade de transformar esses investimentos em produtividade, segurança e melhores serviços. Bancos que conseguirem integrar inteligência artificial aos sistemas existentes sem comprometer proteção de dados e confiabilidade poderão ganhar eficiência significativa.
O cenário de 2026 mostra, portanto, que inteligência artificial, dados e computação em nuvem deixaram de ser apenas tendências para se tornar componentes centrais da infraestrutura bancária brasileira, preparando as instituições para uma nova geração de serviços financeiros digitais.
Os principais números — R$ 3 bilhões em IA/Analytics/Big Data, alta de 8%; R$ 3,9 bilhões em cloud, alta de 30%; e R$ 29,4 milhões em capacitação de IA, alta de 31% — são divulgados diretamente pela Febraban e Deloitte. (Deloitte)
Fontes:
Febraban — Bancos estimam investir R$ 3 bilhões em IA e soluções de dados
Deloitte — Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026
Deloitte — resultados sobre os investimentos em IA, Analytics e Big Data
VEJA — Bancos estimam investir R$ 3 bilhões em inteligência artificial e Big Data